Jalecos com chip e monitoramento dos médicos

A instalação de um chip eletrônico em jalecos dos médicos das Unidades de Pronto Atendimento (UPA) tem provocado uma grande polêmica sobre o controle de frequência em postos e hospitais do Rio de Janeiro. A medida, que foi tomada pela Secretaria Estadual de Saúde, tem como objetivo controlar o uso do uniforme,  diminuir as chances de infecção hospitalar e conquistar dados sólidos sobre o trabalho realizado em cada unidade. Por outro lado, médicos que devem usar os jalecos monitorados reclamam do constrangimento que o uso do chip pode provocar, já que ao sair com a vestimenta da unidade, um sinal é emitido para um sistema de monitoramento.

De fato, o uso da tecnologia em certos ambientes pode assustar um pouco, mas é preciso compreender os benefícios que os novos jalecos podem trazer para a população, como, por exemplo, a queda do número de médicos passeando com jalecos fora do ambiente hospitalar. É uma recomendação antiga, mas que nem sempre é seguida, já que é comum vermos médicos caminhando pelas ruas da cidade com seus jalecos, que devem ser usados apenas em ambientes de trabalho, para evitar qualquer tipo de contaminação.

Outro dado interessante, e que tem irritado bastante os profissionais da Saúde, é o fato do chip “dedurar” aquele médico que recebe para prestar atendimento em hospitais públicos e acaba não comparecendo. A maior parte desses profissionais preza pela ética, mas, infelizmente, ainda existe uma minoria que acaba tentando tirar um pouco de vantagem em algumas situações e, no final das contas, quem acaba pagando o pato é a população.

Porém, antes de dizer quem tem a razão nessa história, que tal perguntar para si mesmo qual seria a sua reação se o seu patrão lhe entregasse um uniforme com um chip de monitoramento?  – O ponto crucial nesta questão é que, se o profissional fizer o seu trabalho normalmente, nenhum tipo de monitoramento lhe será prejudicial, afinal, durante o expediente, é obrigação de qualquer empregado prestar satisfações ao seu empregador e, no caso das UPAs, o empregador ainda é o cidadão carioca. E você, de que lado está?

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8 thoughts on “Jalecos com chip e monitoramento dos médicos

  1. Prezados(as),
    No que tange ao Projeto de Lei 6626/09, o qual versa sobre a proibição ao uso de qualquer equipamento de proteção individual (EPI) fora do ambiente onde o profissional exerça sua função poder-se-ia dizer que tal atitude(a colocação de chips) é válida contudo há profissionais que NECESSITAM atuar com seus equipamentos como os do Saúde da Família , os que trabalham em ambulâncias assim como outros afins.
    Sobre o controle da presença, existem já há tempos e sendo efetivamente utilizadas, outras formas mais respeitosas de verificar a assiduidade, presença e pontualidade dos profissionais, como o ponto digital, o próprio chefe de plantão e o diretor da unidade.

  2. Eu acho que pode até causar algum tipo de constrangimento inicial, mas como você disse, se o profissional fizer o trabalho normalmente não é nenhum problema. E evita que os médicos saiam do ambiente hospitalar com jaleco, o que todos fazem.
    Parabéns pelo blog, amiga, tá ficando ótimo!!!!! =)

  3. O jaleco não pode ser usado fora da unidade, pois pode não só transmitir doenças para quem está fora como também trazer para dentro da unidade alguma contaminação externa. E sobre o chip para controlar se o médico está indo trabalhar e se está cumprindo a carga horária para a qual ele foi nomeado/contratado, sou totalmente a favor! Quem não deve não teme! O médico sério, bom profissional e que trabalha direito certamente não temerá esse chip.

  4. Isso é inaceitável! Eu proponho botar chip nos políticos que tanto tem prejudicado a população com seus desvios de verba!!!

  5. Pra que chip? Pq não conscientizar os médicos de que não pode sair com o jaleco da unidade? Uma minoria tem essa hábito. Não vemos médicos, por exemplo, dirigindo de jaleco ou andando pelas ruas. Não em grande quantidade. Sei q as pessoas fazem isso no máximo nos entornos das unidades. Mas não podem restringir, principalmente, esta prática a médicos. Afinal, outros profissionais utilizam jalecos, muitaz vezes.
    Além disso, qual é o estudo q prova q a taxa de infecção hospitalar sobe devido a este tipo de prática? Em países desenvolvidos os profissionais usam jalecos e pijamas fora das unidades e não vemos um índice pior nestes países…

    Sobre a questão do controle de horário, q se faça como sempre foi feito: folha de ponto. Ou no máximo com controle digital. Deve ser beeeeeem mais barato para o governo ter uma única máquina de controle de ponto nas unidades do que vários chips (q podem, inclusive, ser perdidos…) para todos os profissionais, certo?

    Não vejo motivo para fazer diferente…

    E se não podemos confiar num chefe de plantão ou de serviço para controlar a frequencia de seus funcionários…estamos perdidos! E este responsável deve ser, também, afastado se estiver “encobrindo” uma má prática.

    Nessa história toda, gostaria de saber qual é a empresa q estava disposta a prover os tais chips…

  6. sobre a questão: carregar um chip em si opera um constrangimento parecido com trabalhar sendo monitorado por câmeras. quem já viveu isso sabe que não importa que não se deva, é incômodo e desnecessário. sempre será possível (e cada vez mais é) aplicar qualquer tecnologia para controle não só de profissionais em upas, como filhos em baladas, namorados em dias de distância. não acho absurdo, acho neurótico. entendo isso como parte de um contexto de moralização das relações, que passa pela sensação de que é preciso apenas cumprir deveres e usufruir de direitos. estamos falando da vida das pessoas: médicos que trabalham, pacientes que são atendidos. educação vale mais que repressão. fora o fato de que este esquema deixa a solução da inadimplência e irresponsabilidade na conta das máquinas e enfraquece as discussões trabalhistas entre pessoas: chefes e empregados, estado e servidores. o ponto biométrico já é uma realidade em várias unidades e funciona bem. lançar mão de chips é insistir no caminho do controle para tratar de questões que trazem muito mais complexidades que foiaotrabalho ou nãofoiaotrabalho. é preciso individualizar minimamente os contextos. em suma: chip no corpo é excesso de controle, não é cartão de ponto.

    sobre o resto: “ainda existe uma minoria que acaba tentando tirar um pouco de vantagem em algumas situações”. ser concursado, receber e não ir trabalhar não é apenas não prezar pela ética e tirar um pouco de vantagem: é desbunde. senti falta de você mais incisiva.

    sobre tudo: faz a réplica. o chip seria bom para identificar que um ortopedista no Miguel Couto, por exemplo, chega a fazer 50 atendimentos por dia? tem alguma coisa boa nisso tudo?

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