Gestão hospitalar: chegou a hora de debater o assunto?

O Sistema Único de Saúde (SUS) é o maior sistema universal de atendimento médico do mundo. Na maioria dos países, desenvolvidos ou não, a área da Saúde não é totalmente gratuita, exatamente pela dificuldade de gerenciamento que envolve criar unidades hospitalares para atender milhões de pessoas. Infelizmente, alguns centros fogem ao controle do estado e acabam prejudicando a assistência à população.  Episódios emblemáticos marcaram a história recente do Rio de Janeiro, como o caso do jovem que percorreu cinco hospitais públicos após cair de uma laje e morreu no Hospital Salgado Filho, onde foi finalmente atendido.

Nesse caso, o jovem chegou a procurar atendimento perto de casa, em Xerém. De lá, ele foi encaminhado para um hospital em Duque de Caxias, de onde foi encaminhado para a capital. A má administração de hospitais de cidades vizinhas acaba fazendo com que pacientes de vários municípios procurem os grandes hospitais do Rio, provocando superlotação

A solução para a população seria disponibilizar centros de referência em pontos estratégicos, evitando o deslocamento desnecessário. Porém, apesar da teoria ser bastante simples, essa solução vem se mostrando bem complicada na prática e acaba se esbarrando nas burocracias comuns nas administrações públicas. Apesar do sucesso das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), o problema da saúde ainda está longe de ser resolvido.

Para minimizar esse problema e possibilitar um melhor atendimento gratuito, alguns governos estão optando pelas parcerias, seja com empresas ou Organizações Sociais. Isso não quer dizer que os hospitais deixarão de ser públicos, mas que sua administração passará para entidades com vasto conhecimento e gabarito para melhorar o atendimento e gerenciamento de recursos. Talvez seja a hora do governo começar a analisar novas possibilidades e acabar com antigos vícios típicos da gestão pública.

É preciso investir urgentemente na formação de bons gestores, para que a nossa rede de saúde funcione de forma inteligente e eficaz, evitando casos como o que citamos se repita  Construir hospitais é fundamental, mas não é o mais importante. A população do Rio de Janeiro não quer ver prédios bonitos com equipamentos novos parados. Ela precisa de hospitais que consigam atender a demanda da região onde ele foi instalado.

Nossos governantes precisam ousar mais e fugir deste modelo arcaico que construímos ao longo dos anos. As cidades cresceram, as pessoas estão vivendo mais e a nosso sistema de Saúde não acompanhou esse processo. Temos que tirar os administradores hospitalares da obscuridade e colocá-los no centro das atenções, mostrando que uma boa administração é capaz de manter um bom atendimento.

A expertise de organizações sociais e até de empresas pode, sim, ajudar a Saúde Pública a resolver o problema de administração. Parcerias transparentes não devem ser demonizadas e sim analisadas por seus resultados. Muitos políticos fogem do tema, pelo medo que a palavra “privatização” (muito mal empregada nesse caso) possa trazer nas próximas eleições. O fato é que o cidadão quer uma solução rápida e eficaz, não importa de onde ela venha, desde que possibilite um atendimento hospitalar cada vez mais humano e digno.

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One thought on “Gestão hospitalar: chegou a hora de debater o assunto?

  1. Se os gestores das OSs são tão bem preparados, porque o governo, ao invés de passar a gestão de seus hospitais para os mesmos e arcar com tamanha despesa, simplesmente não contratam estes gestores para o seu quadro???
    Junto com a gestão de OSs vem os contratos para os funcionários. E temos vistos as condições q tais contratos são gerados e a ridícula diferenciação salarial entre contratados e concursados, criando um ambiente inóspito para as relações interprofissionais nas unidades de saúde.
    Ou seja, a OS não é só para gestão.

    Quem trabalha e vive nos hospitais sabe bem como a gestão, na maioria dos casos, é ruim. Medicamentos que se perdem por validade vencida enquanto outros faltam; insumos que encontramos em um departamento e faltam em outro; aparelhos parados por falta de manutenção (e muitas vezes, falta de contrato de manutenção quando da compra do referido aparelho)…enfim, um verdadeiro caos.

    Há de haver uma gestão interna, de administração, de RH, de almoxarifado, de tudo.

    Mas terceirizar é a solução? Pq não contratar tais gestores diretamente? Pq não investir na capacitação de pessoal para esta função?

    Recursos existem. Falta realmente uma gestão decente. Mas as OSs estão longe de ser a solução.

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