A polêmica do parto domiciliar

Um dos eventos mais naturais da vida virou o centro de uma polêmica nas últimas semanas no Rio de Janeiro. A decisão do Conselho Regional de Medicina do Rio (Cremerj) de proibir os médicos de realizarem os partos em casa gerou muita contestação, principalmente de movimentos que defendem o parto humanizado. Mas afinal, será que é tão perigoso assim um parto fora dos hospitais?

Muitos médicos defendem que o parto não é um evento médico e sim um evento natural. Ele só passa a ser motivo de internação quando existem complicações no ato do nascimento. Ao contrário dos procedimentos cirúrgicos, o parto pode ser feito (em situações emergenciais) por qualquer pessoa. Em alguns casos, a mãe dá à luz ao bebê sozinha, sem ninguém por perto. Claro que essa não é maneira mais indicada, mas é assim que acontece há milhões de anos, quando não existiam hospitais ou anestesias.

Proibir a mãe de ter o filho em casa sem o acompanhamento de um profissional da saúde, seja ele um médico, uma enfermeira ou até mesmo uma parteira, pode ser um pouco de exagero, já que é direito individual da pessoa escolher como quer dar à luz. Cabe ao governo investir em campanhas de conscientização para o acompanhamento pré-natal, que é muito mais importante do que o local onde acontece o parto. Um acompanhamento gestacional pode indicar possíveis complicações e evitar situações indesejadas.

Em 2011, a Unicef alertou sobre a alta taxa de cesáreas no Brasil, que é a maior do mundo, com 44%. Está comprovado que o procedimento cirúrgico desnecessário gera um risco maior ao bebê e à mãe do que o parto natural. Onde o parto é feito não deve ser o centro da questão, desde que a mulher receba um acompanhamento médico. Ela pode escolher o local ideal para um dos momentos mais marcantes de sua vida.

Proibir aos profissionais da saúde de atuarem em partos feitos em casa pode gerar um tipo de medo muito perigoso, que pode fazer um médico pensar duas vezes na hora de agir no caso de uma emergência deste tipo. Felizmente, o nascimento de uma criança acontece de maneira muito natural, pois, se não fosse assim, a taxa de mortalidade em regiões afastadas e que não contam com centros cirúrgicos seria muito maior.

É papel do governo garantir o direito da mulher que deseja ter um parto hospitalar e respeitar a vontade da mãe que opte por um parto domiciliar.

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2 thoughts on “A polêmica do parto domiciliar

  1. Vc disse tudo: É papel do governo garantir o direito da mulher que deseja ter um parto hospitalar e respeitar a vontade da mãe que opte por um parto domiciliar. Particularmente, eu não faria um parto domiciliar. O fato de ser algo feito naturalmente há milhões de anos pela humanidade não significa que seja algo 100% seguro. Acho que a evolução da medicina e da tecnologia estão aí pra justo para dar mais segurança à mulher e ao bebê nesse momento tão importante, e isso não pode ser ignorado. Mas o Estado não tem o direito de decidir pela mulher. A escolha deve ser dela e cabe ao Estado dar todo o apoio, seja qual for a opção escolhida, assim como também cabe ao profissional de saúde (médicos ou enfermeiros) decidir se fará partos domiciliares.

  2. É dever do CFM e CRMs regular sobre a atuação dos profissionais médicos em diversas esferas. E acho q esta talvez seja uma delas. É um meio de proteger o médico de alguma forma. Vemos doulas e enfermeiras querendo atuar diretamente no parto domiciliar (pois elas estão sendo banidas de centro cirúrgicos muitas vezes) e estas gestantes muitas vezes não querem um médico fazendo o parto; querem ele auxiliando, olhando de longe apenas, pra ver se não vai ter complicação. E de que adianta um médico, obstetra, se numa emergência pode não dar tempo de reverter a situação? Se não tem todo o aparato necessário, anestesista, pediatra, etc… ou vai ter q ter uma equipe médica completa pro parto domiciliar? Acho tudo mto complicado. Nenhuma mulher precisa pedir autorização pra ter um parto domiciliar, minha gente! É só chamar sua doula de preferência e fazê-lo!! Ninguém nem precisa ficar sabendo!
    Quando pensamos em como o Ministério do Trabalho e ANVISA vem proibindo brincos, cordões, etc, por conta de infecção hospitalar…ao mesmo tempo vamos ter parto num lugar potencialmente infectado? Com a família toda em volta?
    Vamos colocar uma situação ruim, q compica, o bebê morre..e aí? a família vai ficar super conformada ou vai querer matar o médico ali mesmo?
    Diversos países praticam o parto sem médico sim. Mas não em casa. Em clínicas voltadas pra isso, onde há um centro de referÊncia para as complicações ou um médico q vá no caso destas.

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