O preço do bom atendimento

Alguns hospitais são reconhecidos por sua excelência em alguns tipos de atendimentos, como em casos de emergências. No Rio, o caso mais recente de sucesso foi registrado no hospital Miguel Couto, quando um operário com um vergalhão atravessado na cabeça foi salvo pela equipe de cirurgiões que soube o que fazer em um momento tão crítico, contando com a ajuda de aparelhos capazes de auxiliar no processo operatório. Provavelmente, se o atendimento fosse feito em um hospital com menos estrutura, o resultado teria sido outro.

Médicos de grandes centros como o próprio Miguel Couto, o Souza Aguiar e o Salgado Filho convivem com uma rotina que, em muitos casos, se assemelha a um campo de batalha, com a entrada desenfreada de feridos graves, seja por acidentes de trânsito ou até por ferimentos de armas de fogo, que dependendo do calibre, precisam de um tipo de intervenção que não é comum em centros urbanos.

O reconhecimento desses centros, por outro lado, acaba gerando um “êxodo” de pacientes. Em 2011, 18% dos pacientes internados no Souza Aguiar eram moradores de outros municípios. Do total de 9.185 internações, 1707 pacientes eram da Baixada Fluminense, sendo 451 de Nova Iguaçu. Essa demanda acaba transformando os médicos em verdadeiros heróis, como o próprio cirurgião que operou o operário ferido com o vergalhão.  No momento que o rapaz deu entrada na emergência, o cirurgião Ivan Sant’Ana havia acabado de operar uma mulher de 38 anos em estado gravíssimo, vítima da violência do marido.

A intensidade no fluxo de pacientes nestes hospitais é facilmente explicada pela fama que eles adquiriram com o atendimento emergencial. O que o governo precisa fazer é evitar com que centros de referência terminem sobrecarregados. É preciso cobrar dos municípios metropolitanos o investimento em hospitais equipados e com equipes especializadas para suprir a demanda local. O bom funcionamento da saúde pública depende de uma balança delicada, que envolve o trabalho não apenas da cidade, mas de seus vizinhos.

O hospital não vai negar atendimento aos cidadãos de outras cidades, mas seria muito mais eficaz e justo se cada município pudesse atender aos seus moradores. Atualmente, um governante de uma capital como o Rio de Janeiro precisa pensar na Saúde com a participação de munícipes externos e evitar mortes ocasionadas por hospitais lotados.

As eleições estão chegando, cabe agora ao eleitor analisar o que está sendo prometido na área da saúde em sua cidade e cobrar tais mudanças nos próximos quatro anos para, quem sabe, não precisar sair de sua cidade para procurar um atendimento médico emergencial.

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One thought on “O preço do bom atendimento

  1. A cidade do Rio sempre paga o preço pela qualidade dos serviços prestados. Atendimento de excelência, clareza e precisão nos dados. Falam dos altos índices de tuberculose e dengue na cidade. Isso se dá porque, na verdade ,a investigação e o diagnóstico aqui são eficazes. Há um real trabalho de busca ativa. Outros municípios simplesmente não notificam e não aparecem nas estatísticas.

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