As armadilhas dos planos de saúde

No último ano, planos de saúde viraram tema de diversas discussões provocadas pela queda de qualidade no atendimento e alto índice de insatisfação dos clientes que, muitas vezes, não conseguem o tratamento médico por causa da burocracia ou pelas pegadinhas jurídicas impostas pelas administradoras. Médicos precisam lidar com algumas imposições dos planos de saúde diante de diagnósticos graves e que necessitam de um tratamento mais completo e moderno, longe do alcance da maioria dos convênios.

Imagine a seguinte situação: um paciente descobre que tem um determinado tipo de câncer e precisa iniciar imediatamente o tratamento quimioterápico. Porém, seu plano de saúde “não cobre” a quimioterapia oral ou uma radioterapia mais moderna, obrigando o paciente a passar pelo tratamento convencional, mesmo que ele seja mais demorado e provoque mais efeitos colaterais.

Esse é apenas um exemplo dentre vários que podem ser enfrentados cotidianamente por pessoas que pagam mensalmente por um seguro de saúde e, na hora que mais precisa, acabam tendo que enfrentar questões jurídicas de contratos obscuros. Mas, por outro lado, temos a inversão do problema, quando os médicos passam a abusar do repasse feito pelos planos, exigindo exames e consultas desnecessárias.

Não é difícil encontrar pessoas que, diante de um problema simples de saúde, foram obrigadas a fazer uma bateria completa de exames, muitas vezes sem explicações coerentes. Seja qual for a situação, quem sempre acaba prejudicado é o paciente, seja por falta de cobertura ou por perda de tempo em exames desnecessários e, algumas vezes, invasivos.

Ainda nesta relação delicada entre médico, paciente e operadoras de planos de saúde, é importante lembrar que a parcela da população que passou a utilizar esse tipo de serviço aumentou dramaticamente, mas a qualidade dos serviços prestados não acompanharam essa demanda. Cabe aos pacientes ficarem atentos o tempo todo, verificando o que o plano oferece de benefícios e pensar muito bem antes de assinar um contrato. No momento da consulta, apesar de muitos médicos não apoiarem a idéia, tente pesquisar sobre os sintomas e quais tipos de tratamentos disponíveis para a sua enfermidade. Muitas vezes o confronto de ideias pode gerar um melhor entendimento sobre a situação e evitar golpes.

Os pacientes devem ficar sempre atentos e não devem aceitar passivamente tudo que lhe é imposto, antes de uma explicação coerente. A grande maioria dos médicos são éticos e idôneos, é verdade, mas não se pode ignorar a presença de profissionais de péssimo caráter e que se aproveitam do baixo nível de instrução da população para conseguir algum tipo de vantagem, seja da maneira que for.

Infelizmente, seja na área pública ou particular, alguns problemas persistem e precisam ser combatidos. A Justiça tem voltado a sua atenção para as inúmeras irregularidades em planos de saúde conceituados, mas a realidade só vai melhorar se os clientes destas seguradoras passarem a denunciar os abusos. O caminho é longo, mas a largada foi dada.

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